A ARTE DAS ILHAS

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Flávia tem uma árvore. Aline tem um laço. Bruna tem uma flor. Jade tem uma tartaruga marinha. Mariana tem uma lua. Juliana tem uma estrela. Elisa tem um barco à vela. Marina ainda não tem.

A tatuagem não deixa de ser uma obra de arte pessoal que pode carregar muitos significados em um único desenho. Por trás de cada tattoo, existe uma história e um momento de vida que fica marcado para sempre.

E não é à toa que ela está incorporada na cultura surfe e praia: suas raízes vêm das Ilhas Polinésias, como o Taiti. Mar azul turquesa, ondas perfeitas, areias brancas e habitantes que desde 1700 já marcavam seus corpos usando uma concha afiada, uma peça de madeira e tinta preta natural. O som da madeira batendo na concha era algo como “ta-tau-ta-tau”, o que hoje conhecemos por tattoo. Segundo a tradição local polinésia, a tatuagem tem origem divina, Deuses a inventaram e se tatuaram para tornarem-se atraentes e sedutores. Mais tarde, já incorporada na cultura das ilhas, ela ganhou dois grandes significados, o “etua” representação espiritual e religiosa que traz proteção, e o “enata” que representa a pessoa, seu trabalho e seu modo de vida. Apesar dos estilos distintos, ambos têm em si honra e coragem.

Para os Maoris, quanto mais tatuagem, mais nobre a pessoa. Nesse caso, você não faz uma tatuagem, você a conquista. A tatuagem dá status dentro da tribo.

Recentemente um jovem velejador e surfista brasileiro se aventurou pelos mares do sul e atracou em uma ilha paradisíaca. Os locais logo estranharam aquele homem de pele branca sem nenhum desenho. “Bom sujeito não é”, devem ter pensando, não conseguiam respeitá-lo. Até que o velejador foi tatuado na perna pelos próprios nativos da ilha, com a mais tradicional e sagrada técnica de marcar o corpo. Saiu de lá velejando mais confiante. Passou por uma importante experiência, cresceu e conquistou um grande desenho que representaria esse momento da sua vida.

Cada um carrega  seu motivo em seu desenho, e com certeza a tatuagem revela mais ainda quem é essa pessoa.

Silvia nunca quis ter tatuagem, e nunca procurou saber sobre as origens dessa antiga arte, até se identificar com um livro de Mandalas. Depois de muito pensar, fez uma linda mandala colorida nas costas, que hoje exibe com orgulho. Já Luara tem mais de 5 tattos espalhadas pelo corpo, cada uma de uma fase. Renata fez um discreto pássaro quando teve seu primeiro filho. Patrícia tatuou um peixe depois de uma viagem ao Hawaii. Camila está pensando qual será a sua próxima tatuagem.

No fim, não importa a sua tribo, o que importa são as suas escolhas e porque o desenho que elegeu para enfeitar o seu corpo é importante para você.

Cada pessoa, uma imagem. Cada tattoo, uma história. Qual é a sua?

Por Bartira Bejarano

Fotos: divulgação