Bate papo com Claudinha Gonçalves

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A paulista
de 30 anos, Claudinha Gonçalves, começou cedo no surfe. Aos 4 anos entrou na
água com bodyboard, aos 12 com pranchinha e a partir daí a dedicação ao esporte só cresceu. Ao longo de sua carreira participou de inúmeras competições e foi considerada uma
das principais surfistas do país, representando o surfe feminino do Brasil em
circuitos mundiais. Nos últimos 3 anos, Claudinha resolveu explorar o surfe de uma
maneira diferente, conhecendo novos
picos, outras culturas, sem timing para pegar as ondas.

Semana
passada, a Girls on Board conversou com essa fera e o papo rendeu muitos assuntos! Confira abaixo:

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Falamos sobre a cena do surfe feminino atual, o profissionalismo na
categoria e o Canal Off…

“O interesse
pelo surf feminino cresceu consideravelmente nos últimos anos e as mídias
sociais estão ajudando bastante nesse processo. Já estou há mais de 5 anos em
um programa de televisão relacionado ao surfe feminino, e posso dizer com
certeza que uma das maiores falhas é o fato de não ter competição profissional com
continuidade no Brasil há mais de 4 anos. Acontecem alguns amadores, mas é
necessário o profissional para incentivar a formação de base no país e a criação de ídolos.

A falta de estímulo na
categoria feminina,  eu vejo com muita tristeza.
Uma vez que, quando comecei no esporte tive um êxito muito grande por conta dos
fortes incentivos e patrocinadores.  Eu
tive a oportunidade de concorrer num circuito brasileiro incrível  que era o “Supersurf”, a época da Petrobrás.  Foi uma fase de glória para o surfe em
geral,  e é isso que forma um
atleta.  Você tem a oportunidade de
correr num circuito interno e depois ir para um mundial. É uma oportunidade de
crescer dentro do Brasil, do seu país, para depois correr lá fora mais
preparado. Então é uma pena, porque a segunda
geração depois da minha estagnou por falta de incentivo, patrocinadores
e competição.

Com o boom do canal
off,  que dá bastante visibilidade para
as marcas e para o próprio atleta, o cenário começou a mudar novamente. Essa
combinação movimenta o mercado,  e o mais
importante de tudo, o surf feminino voltou a ter uma identidade. As meninas se
sentem incentivadas a praticar o esporte quando assistem programas como o do
Canal off. Se você pergunta para uma menina se ela vai ser surfista, ela pode
te responder: mas porquê eu seria? Em quem eu vou me espelhar? São questões bem
complicadas se você quer viver do esporte. E isso é o que mais pega para mim, porque
tudo que eu conquistei hoje foi por meio do surfe. “

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Falamos sobre
o estilo de vida do surfe , os seus projetos futuros e as redes sociais…

“O estilo de vida do surfe se
diferencia dos outros esporte. Não é como você praticar futebol , vôlei e
muitas outras coisas. O surfe é realmente um estilo de vida. As pessoas vivem
isso. E com certeza, um dos motivos que bombam as redes sociais, é o fato das
pessoas  gostarem de acompanhar e viverem
isso por meio das redes sociais, como por exemplo o instagram e o facebook. Elas aproximam o atleta das pessoas. Você consegue ver equipamento que elas
estão usando,  o que ela esta fazendo no
momento, as viagens legais, o pré-surfe e o pós-surfe. Hoje em dia, eu
recebo inúmeras mensagens no facebook perguntando sobre dicas onde surfei, que
vento é legal para aquela praia, que ondulação, uma dica de viagem, onde é
legal para menina surfar. Esse tipo de coisa também motiva a gente.

Eu particularmente sou viciada nas redes sociais. Qualquer oportunidade que tenho eu penso se isso é legal de postar.  Tem que
ter um porque de postar, o que as pessoas vão gostar de ver, o que vai interessar
a elas, e aí e vou fazendo isso. Meu próximo projeto é lançar um
site com todas as informações que sempre sou requisitada. E no dia 30 de abril vai estreiar o meu novo programa no Canal Off chamado “O meu lugar”.  Ele foi gravado  no ano passado inteiro, e é o primeiro projeto 100% elaborado por mim. Isso é uma conquista  pra mim,  foi um próximo passo. Já estou na televisão faz 6 anos protagonizando e também como surfista, mas agora trata-se de um projeto contando um pouco
da minha trajetória no circuito mundial e também das pessoas que fizeram parte desse caminho. Quando você participa de um campeonato, o objetivo imediato é a vitória,  mas ao longo do trajeto, você se se depara com tantas culturas,
pessoas e lugares, que o caminho tornar-se muito maior do a
vitória em si. Como tudo isso foi e continua sendo muito importante para o meu
crescimento como profissional e como pessoa, a vontade de viajar e conhecer outras pessoas e cultural torna-se insaciável.

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Falamos sobre a saudades de competir…

“No momento, priorizo
viagens e projetos. Este é o meu terceiro ano sem competir, e para mim é muito
estranho, porque sou muito competitiva desde os 14 anos, é o que sempre me movia. Antes eu
entrava na água com o meu relógio para computar os 25 minutos e as minhas duas
melhores ondas. Era como se eu fosse um
robô. Mas o surf é mais do que isso, é arte, é sentimento, se você começa a bater muito
nessa mesma tecla, acaba se perdendo nesse caminho, como aconteceu comigo. Agora, nessa fase de
surfar mais livre, sem computar tempo, sem pensar em pontos, simplesmente
sentir, eu me redescobri e o meu surf evoluiu demais. São fases que todo atleta acaba passando, primeiro competição, treinos pesados para depois apreciar a arte de surfar.  Eu simplemente mudei a minha forma de surfar e de pensar, e estou cuntindo
muito isso.

Mas é claro que se voltasse o Supersurf ou qualquer outro circuito brasileiro eu iria com certeza. Nós sonhamos com uma lycra de competição e conforme eu disse antes,  eu
acho que precisa desse incentivo na categoria feminina no Brasil, não só porque
eu tenho vontade, mas porque é necessário esse empurrão no início.  O esporte esta crescendo tanto, as meninas
estão evoluindo tanto.  Se
você parar para pensar, a nova geração devia ter muito mais oportunidade que a gente
teve. Tem que acordar para isso. Nós queremos um circuito
brasileiro de surf feminino.”

Agradecimento especial à Claudinha Gonçalves

Por Isadora Greiner

Fotos Kathia Calil