DIARIO DE VIAGEM – ILHA DE PASCOA – CAP 02

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Capítulo 02 – “Aventuras”

Logo na primeira manhã, já nos deparamos com o “papai” (Alemão de Maresias) ansioso para surfar. O mar estava grande, perfeito do outro lado da Ilha. Alemão e Burle foram cedo surfar em Vinapú, com os locais que pareciam crianças, tamanha alegria em ver dois “ídolos”ali com eles. Nós mulheres, como estávamos com as crianças, e ainda sem um esquema montado, ficamos ali pelo pueblo. Eu fiquei no centrinho com os meninos. Foi uma manhã super gostosa. O Renê (meu filho mais velho) saboreou as famosas empanadas, tomamos suco de goiaba e exploramos os parquinhos locais. As ondas já estavam rolando, mas esperei o momento certo para surfar sem deixar as crianças na mão. A Ligia alugou um carro para nós e desde então, nos dividíamos ou nos juntávamos para as aventuras!

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Aproveitamos esse swell junto com os maridos do outro lado da Ilha. Fizemos um delicioso piquenique, e as crianças se divertiram escalando as pedras, e buscando diversos ossos (de vaca) que ficavam por ali espalhados. E eles ficaram emocionados com tantos ossos de “dinossauros”!

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As ondas  em Vinapú são bem sinistras, pois quebram muito perto das pedras, cheio de ouriços e outras surpresas pelo caminho. Em nenhum momento me senti confiante para surfar ali.

Depois de dois dias na Ilha encarei minha realidade. Estava em família, com meus dois filhos, sendo um bebê de colo. Meu marido alucinado por aquele lugar, com vários amigos locais, que na primeira oportunidade arrastavam ele para fazer alguma coisa. Além do compromisso de gravar para o programa do Burle, o Desejar Profundo, que passa no Canal Off. Ou seja, o surf não poderia ser a minha prioridade… Engoli a seco e fiquei numa boa. Mas toda vez que surgia uma oportunidade, estava na água!

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Algumas noites jantamos no restaurante Te Moana, do nosso amigo Rapa Nui Rene e sua esposa Carol. A comida é incrível e a localização privilegiada. Fica aqui uma boa dica para quem tiver interesse em conhecer a Ilha.

Assim que nos estruturamos melhor, conseguimos duas babás para ficarem com as crianças enquanto todos nós estávamos surfando. Este dia foi uma delicia! As ondas estavam rolando com um metro, um metrão, uma direita gostosa. Costumam chamá-la de Papas. Ficamos horas no mar, e saímos renovados!

As visitas aos 15 Moais, também aconteceram com uma certa frequência, já que sempre estávamos ali perto. Aquele para mim, é o grande ícone da Ilha. Uma energia densa, e há muuuito mistério por ali.

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Passando pelos 15 Moais, tem o Vulcão Ranga Roa, que fica na famosa fábrica de Moais. No qual, no pé do vulcão existem centenas de Moais enterrados pela metade. Fabuloso e uma vista sensacional. O Renê amou aquele lugar!

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Teve um dia que o surf foi em Mataveri, a onda mais próxima do centrinho da Ilha e a favorita do Alemão. Uma esquerda grande, forte e muito extensa. Fiquei animada que o surf seria ali, pois de cima do cliff, podíamos ver toda a ação dos “caras” e as crianças poderiam ficar brincando no parquinho super gostoso ali perto.

Nesta noite o jantar foi em casa. Uma peixada ao estilo Rapa Nui, com direito a música ao vivo!

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No dia que resolvemos conhecer o vulcão Rano Kau, Ligia alugou uma bike  e pedalou até nos encontrar para passarmos a tarde na beira do lago que fica dentro do vulcão. Alemão e Burle remaram de SUP até ali, junto com o Tuma, que é considerado um ídolo na Ilha. Ele tem 11 títulos do Homem Pássaro – Competição tradicional dos Rapa Nuis – o competidor passa por um circuito sinistro como correr vulcão a baixo, subir com um cacho de banana de 20kgs nas costas, nadar por um trecho “punk”, escalar as pedras de uma ilhota e pegar um ovo de uma ave típica trazendo-o na cabeça (sem deixar quebrar até determinado ponto). Acho incrível essa história. Enfim, Tuma é o cara, ídolo por ter vencido tantas vezes. Ele é também responsável pelo parque do Vulcão Rano Kau. Eles passaram a tarde por lá.  E nós ficamos um tanto e fomos para a casa com os meninos.

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No dia seguinte foi a minha vez de pedalar. Fiz um circuito não muito longo, mas delicioso, na volta da praia Anakena. A única praia de fato da Ilha.

Nesse dia, teve um acontecimento engraçado e quase trágico. Estávamos indo conhecer esta praia em comboio: eu, alemão e nossos meninos em um carro, Burle e família no outro com o Cachorrão, o filmmaker. A idéia era ficar um tempo na praia e dar um role de skate, bike e tudo o que podíamos ali. Mas, o Alemão estava ansioso, acho que estava faltando uma gota de adrenalina naquela programação. Ele queria por tudo, descer uma grande ladeira com o nosso skate, do tipo Carver. Eu achei loucura, pois ele estava descalço sem nenhuma proteção e a estrada era estreita, mão dupla e um tanto quanto íngreme. Demos uma discutidinha, mas resolveu ir mesmo assim. Confesso que fiquei aflita, mas não queria ser a chata e a careta da história. Ele se posicionou e foi. O skate, óbvio, começou a pegar muita velocidade e como a estrada era estreita, ele não conseguia fazer as “curvas” da forma certa.

O filmaker Cachorrão, já estava posicionado filmando tudo. O Alemão, sem controle, passou a mil por ele, e a frente havia uma enorme curva. Eu fiquei estática no meu carro parado. Sem reação. Ele viu que não poderia entrar na curva com aquela velocidade e se jogou no mato. Só escutei o Burle gritando “Vai pro mato Alemãooo!!!”. E ele foi. Por sorte, foram só arranhões. Nada de mais. Mas ele ficou em choque. No fim demos muita risada!

Depois fomos para a praia e foi bem gostoso. Ficamos alí até o pôr do sol. Cheguei em casa à noite, depois da deliciosa pedalada!

Hoje, vou parar por aqui e no próximo capítulo vou relatar as últimas aventuras e a nossa despedida da Ilha. Não deixe de acompanhar!

Por Renata Neves

fotos: arquivo pessoal