Entenda o Circuito Mundial de Surf

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WCT, WQS, ASP, Rounds, Wild Cards, Baterias. Não são abreviações de órgãos do governo e nem nomes de novas drogas; são todas as siglas presentes no maior evento do nosso amado universo do Surf: O WCT.

Apesar de pequenas, essas palavrinhas sempre invadem e dominam as nossas telas dando um nó daqueles na mente. Pensando nisso, numa época em que o Surf nunca esteve tão evidente, a Girls on Board dá uma força e ajuda a descomplicar estes termos.

Primeiro: o que é o WCT?

WCT significa World Championship Tour, ou Circuito Mundial de Surf, como é mais conhecido por aqui. Ele consiste num campeonato mundial que reúne atletas de todos os cantos do planeta para definir o melhor surfista do ano. A competição, que é dividida nas categorias Masculino e Feminino, é organizado desde 1992 pela ASP (Association of Surfing Professionals ) – órgão responsável pela regulamentação, promoção e inscrição de todos os eventos e surfistas que atuam profissionalmente. O evento para a coroação de melhor rider (surfista) do mundo existe desde 1976. Entretanto, somente em 1992 foi nomeado de World Championship Tour, devido a divisão do campeonato original em dois: o nosso tão comentado WCT e a divisão de acesso à ele, o WQS (World Qualifying Series, uma espécie de “segunda divisão” do Surf mundial).

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Tá, agora como funciona esse rolê aí?

As regras para o WCT masculino e feminino são diferentes. O masculino é divido em 11 etapas que rolam nas melhores praias espalhadas pelo mundo. África do Sul, Portugal, Austrália, Brasil e, é claro, Hawaii, já foram palco das manobras dos maiores surfistas do globo.

Neste ano, 36 riders estão competindo entre si, mas a ASP anunciou algumas mudanças para o Tour do ano que vem na divisão das vagas da seguinte maneira:

34 vagas no total

– Os 22 atletas mais bem colocados no WCT do ano anterior garantem sua vaga para o ano seguinte;

–  Os 10 primeiros colocados da divisão de acesso, o WQS, conquistam um lugar na divisão de elite;

– 2 atletas escolhidos pela ASP recebem o chamado Wild Card, uma espécie de convite concedida geralmente a surfistas que se machucaram durante etapas anteriores e ficaram impossibilitados de continuar no Circuito do ano anterior.

Cada uma das 11 etapas do WCT é dividida da seguinte maneira: são 5 Rounds, em que o 1º, 2º e o 3º Round é composto por 12 Baterias com a duração de 30 minutos cada, no qual três surfistas disputam entre si, e o primeiro colocado do 1º Round já passa automaticamente para o 3º.

– No 2º Round, são 12 baterias de dois surfistas no qual o vencedor avança para o 3º Round .

– No 3º Round o mesmo esquema se repete. Os surfistas restantes se enfrentam nas mesmas 12 baterias em duplas na água, com o vencedor aterrissando direto no round seguinte.

– No 4º Round as coisas mudam um pouco: são 3 surfistas se enfrentando em 4 baterias e o vencedor vai direto para as quartas de final, enquanto o segundo e o terceiro colocado se enfrentam no 5º e último round.

– No 5º Round são baterias mano à mano, com os segundos colocados sendo eliminados até que reste somente o vencedor.

Lembrando que só são consideradas válidas para nota as manobras que o surfista executar do início ao fim numa mesma onda. Manobras não concluídas não são computadas como notas para o rider; são simplesmente descartadas.

Ah, e mais uma observação: Para que haja Surf, tem que ter onda (DÃÃ). Mas, obviamente, o mar não se comporta de acordo com as datas de um campeonato. Por isso, é possível que não role a etapa nos dias previstos por falta de ondas e, nesse caso, os dias em que o Mundial fica parado são chamados de Lazy Days.

Ufa!

E como tá o Mundial agora?

Atualmente o Mundial está caminhando para sua 11ª e última etapa, que rola de 8 à 20 de Dezembro em Banzai Pipeline, em Oahu, no idolatrado Hawaii. E adivinhem, o nosso menino prodígio Gabriel Medina está na liderança! Os 15 primeiros colocados até 04 de novembro são os seguintes:

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O esquema de pontuações foi atualizado no site da ASP pela última vez em 20/10/14. http://www.aspworldtour.com/

E por que os brasileiros estão falando taaanto do WCT este ano?

Porque é a primeira vez na história em que um brasileiro pode trazer, DE VERDADE MESMO, o título de melhor surfista do mundo. Até hoje, o brazuca que chegou perto de conquistar o título foi o carioca Victor Ribas, que conquistou o 3º lugar no circuito há mais de 15 anos.

É no berço do Surf que pode nascer uma conquista histórica para o Brasil. E o peso dessa conquista vem por meio dos aéreos e das rasgadas do nosso orgulho: Gabriel Medina. Com apenas 20 anos, Medina tem chances reais de derrotar o 11 vezes campeão mundial – muso e mito do esporte-, Kelly Slater. E ainda por cima ganhar o título de presente de aniversário, já que nosso heroi comemora 21 primaveras no dia 22 de dezembro.

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No dia 4 de novembro, tivemos uma notícia que poderia mudar os rumos do WCT deste ano: a ASP divulgou na tarde de terça-feira, um comunicado oficial informando sobre uma lesão de Kelly Slater, o principal rival de Medina na conquista do caneco. O careca que ocupa o 2º lugar no ranking geral quebrou dois dedos do pé esquerdo, correndo o risco de ficar fora da final em dezembro.  Apesar de ser necessário ficar afastado de 3 à 4 semanas, os médicos garantiram que Slater estará inteiro e apto a brigar com Medina pelo título mundial no Hawaii. Pode respirar fundo – ou perder o fôlego de vez-, ainda teremos um embate épico nas areias de Banzai Pipeline.

Amamos o Kelly e desejamos que ele se recupere logo, mas táca-le pau Medina, traz o caneco pra gente!! Estamo contigo 😉

Agora que vocês já estão manjando praticamente tudo do WCT, já anotem no calendário os dias entre 8 e 20 de dezembro! Não desgrude os olhos da meca do Surf por nada nesse mundo!

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Cola Rápida

ASP – Association of Surfing Professionals, o orgão que regulamenta e promove as competições

Bateria – é o período de meia hora em que os surfistas se enfrentam durante os rounds

Lazy Day –  Período em que o mundial fica parado por falta de ondas

Rider – sinônimo para surfista

Round –  é a subdivisão das etapas; são 5 rounds por etapa

WCT – World Championship Tour, o Circuito Mundial de Surf

Wild Cards – Convites que a ASP faz a três surfistas (normalmente que se machucaram durante o circuito anterior) para entrar no WCT

WQS – World Qualifying Series, a divisão de acesso ao WCT

Por Bruninha Gonçalles

Fotos: divulgação

Referências: http://www.aspworldtour.com/