Entrevista exclusiva com a banda FORFUN

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Às vésperas do lançamento do disco NU, que acontece no dia 6 de outubro, o Girls on Board se antecipou, colocou as pranchas no carro e desceu a serra para bater um papo exclusivo com a banda Forfun.

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Num clima intimista à meia luz, no qual tendas e lustres contribuíam para compor o ambiente aconchegante, Danilo Cutrim (guitarra e vocais), Victor Isensee (vocal, teclado e sintetizadores), Rodrigo Costa (baixo e vocais) e Nicolas Christ (bateria) subiram ao palco em mais um show de encerramento da turnê de seu terceiro disco “Alegria Compartilhada”.

Com os clássicos  Gruvi Quântico, Good Trip e Hidropônica, eles aqueceram o público, e sem que ninguém esperasse, começaram os acordes inconfundíveis de “Tempo Perdido”, da banda brasiliense Legião Urbana. A plateia foi ao delírio total, demonstrando que os 13 anos de estrada da banda não se fizeram à toa.

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Na tarde do dia 17 de setembro, o quarteto surpreendeu os fãs ao postar em sua página oficial no facebook uma emblemática imagem com a palavra “NU”. Estava revelado o nome do novo projeto no qual eles vinham trabalhando. À partir daí, o quarteto carioca lançou online neste mesmo dia o single “Alforria” e, em 25 de setembro, a vibrante faixa “Muitos Amigos”.

A turnê de NU só começa oficialmente no dia 22 de outubro em Porto Alegre, seguindo pelo sul do país, por Pelotas, Caxias do Sul, Novo Hamburgo e Criciúma. Mas a Girls On Board não agüentou esperar e, entre uma música e outra, trocamos ideia sobre os bastidores da gravação do DVD, setlists, planos para o futuro, novidades do novo álbum e uma revelação que ninguém esperava. Afinal, pode ser Funk, Rap, Raggae ou Hardcore, são muitos amigos… Eles nunca estarão sós… Ta esperando o que? Confere aí!

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No show de hoje tiveram covers e músicas do primeiro disco, Teoria Dinâmica Gastativa, que não eram tocadas há muito tempo. Quando vocês tocam em um lugar pela primeira vez, a setlist costuma ser diferente?

Danilo – Quando a gente vai pela primeira vez para alguma cidade, prezamos por uma obra mais abrangente, mais completa. Não há como saber com certeza qual é o gosto do público, então tentamos fazer um apanhado do lance todo. Isso porque normalmente vem uma galera muito distinta, desde quem acompanha lá do início, até quem começou a ouvir agora; desde a galera mais novinha até a galera mais velha (é lindo isso!); desde quem manja mais dos sons antigos até quem manja mais dos sons novos. Cada show é único, e a gente tenta levar um lance particular para cada um deles. No show de hoje, por exemplo, tocamos Legião porque é uma banda muito representativa, uma música foda… É muito linda a parada. Já o NOFX tocamos porquê, exatamente hoje, faz vinte anos que eles lançaram o álbum mais clássico, o Punk in Drublic, que influenciou a maior galera e, não diferente, a nós também. Portanto foi um dever nosso tocar.

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No fim de 2012 vocês gravaram o primeiro DVD da banda por meio de crowdfunding, que acabou entrando para a história como um dos maiores financiamentos coletivos de música do Brasil. Como foi essa experiência? O que marcou mais?

Danilo – Cara, foi surreal, foi muito maneiro! Conseguir fazer as coisas de uma maneira independente é muito bacana, sabe? Porque você consegue dirigir, deixar a arte mais moldada do jeito que você concebeu inicialmente… não tem aquela mão do capital interferindo muito. Se a galera interfere para o bem, tudo bem, mas acontece muito que essa galera de terno e gravata geralmente interfere de uma maneira negativa, meio escrota, e às vezes acaba boicotando algumas coisas, vetando outras… Mas no nosso caso foi muito tranquilo, fizemos com a nossa galera, com quem já estávamos acostumados a trabalhar, a cenografia ficou linda, foi muito simples, muito barata e, no fim das contas, foi por isso que a gente prezou, pela simplicidade. Cara, a sensação do dia foi muito bacana, porque como foi um financiamento coletivo – aliado ao fato do Rio ser uma cidade turística e a galera visitar naturalmente- teve gente do Brasil todo reunida ali no Circo Voador. Foi irado ver vários sotaques, diferentes etnias, a maior miscigenação, uma mistura incrível… a sensação foi de estar com o Brasil inteiro ali junto da gente sabe? Muito intenso… Acho que isso dá pra ver nas nossas próprias expressões no DVD hahaha.

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Vocês estão se despedindo do Alegria Compartilhada. Qual é a sensação que fica?

Danilo- Ah cara, é um disco muito lindo, né?! eu adoro muito. Tem a produção do Daniel Ganjaman que, pô, sem palavras, é um cara muito amigo. Foi um trabalho que a gente se inspirou muito pra fazer… Nos sacrificamos, fomos várias vezes para São Paulo, bancamos tudo, não foi fácil… Passamos vacas magras aí, hahaha. Mas enfim, foi um disco muito representativo, sabe? Foi um projeto meio que de consolidação…pode não ser para algumas pessoas, mas para nós é muito. É de um caráter musical, uma personalidade  muito forte pra gente, foi um marco na nossa carreira. É um disco muito positivo, muito tranquilo, ele renova, acalma, faz respirar, areja a mente… É essa a sensação que ele deixa.

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E se encera um ciclo para se abrir outro. Vocês lançaram no ano passado o EP Solto, com três novas músicas e agora vão lançar o NU. O que podemos esperar por aí?

Danilo – O EP foi uma transição artística. Entrou um espanhol ali, alguma coisa de política aqui, um toque de questão social…tudo é um prelúdio desse trabalho que estamos fazendo agora. Esse novo projeto (o NU) é uma parada surreal, a gente está preparando desde que nasceu. Se alguém acredita em outras vidas antes de nascer… Bom, estamos amarradões, hahaha. Fizemos muito felizes esse álbum todo, estamos terminando de gravar agora. Foi trabalho muito árduo de se fazer, porque todo mundo quis se expressar, todo mundo compôs, todo mundo arranjou, todo mundo fez melodia, todo mundo musicou. Agora a banda passou de algo em que um fazia a letra, o outro o arranjo, o outro fazia a melodia, até um estágio em que todo mundo produz, todo mundo faz… São quatro bandas diferentes pra se arranjar em uma, sabe? E aí caiu um milagre do inferno em nossas vidas que é o Rafael Ramos, hahaha.  O cara é um monstro, um produtor incrível que está conseguindo entender a gente, desmembrar para nos unificar, está fazendo tudo de uma forma muito bacana. E o resultado de tudo isso vocês podem conferir em outubro. Mas, depois disso, a gente está planejando o maior projeto da nossa vida. Vai ser foda pra caralho, vai ser demais. Aguardem o que vem por aí.

Por Bruninha Gonçalles

Fotos: Carol Reis