Entrevista exclusiva com Manoela D’Almeida

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A gaúcha Manoela D’Almeida é um grande exemplo do nosso lema #vivaseusonho. Jornalista, colunista da revista HardCore, apaixonada por surf e fotografia. Ama o que faz, e corre atrás do que quer! Confira o nosso bate-papo sobre a sua carreira, o universo do surf feminino e algumas dicas para quem quiser mergulhar neste mundo.

Manu, quem veio antes: a fotografia ou o surf? 

O surf! Comecei a surfar com 12 anos de idade na Praia de Atlântida, no Rio Grande do Sul. Uma praia aberta que muitas vezes apresenta mar marrom, correntes e condições irregulares. Mas é claro que tem seus dias bons, e o lado positivo de ter aprendido em uma praia assim, é que sempre que viajo tendo a achar as condições clássicas! rsrsr

A fotografia surgiu na minha vida quando eu tinha 18 anos e estava no primeiro semestre do jornalismo. Logo comecei a fazer um estágio na faculdade, aprendi as primeiras técnicas e passei a fotografar o ambiente surf, nas muitas vezes que viaja à Santa Catarina para pegar ondas.

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Qual foi o lugar mais interessante que você fotografou? E o mais exótico que surfou?

Difícil dizer… acho que todo o lugar tem seu encanto…Mas a minha primeira viagem às Maldivas foi muito marcante e um divisor de águas na minha carreira. Eram ondas tão perfeitas, em meio à uma cultura tão diferente e eu ainda estava acompanhada das melhores surfistas do Brasil

O lugar mais exótico que já surfei? humm. Acho que vou dizer que foi quando tinha 13 anos e surfava na praia do El Emir com meu pai.  Esta praia tem água gelada e uns restos de um navio afundado. Foi uma experiência marcante, pois até hoje tive poucas oportunidades de surfar com o meu pai e naquele dia vieram uns leões-marinhos perto da gente. Eu achei o máximo enquanto ele mandou a gente sair da água imediatamente.

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Nós somos fãs das lindas fotos que você registra, mas além das imagens, estamos sempre acompanhamos a sua coluna “Ladies First” na revista HardCore. Conte um pouco sobre a experiência de ter este espaço exclusivo para falar sobre o universo do surf feminino aqui e no mundo. 

Em primeiro lugar, eu agradeço muito os elogios. Pois como é uma revista de surf tradicional, e não voltada ao surf feminino, muitas vezes me questiono quem está tendo acesso à coluna.

Já faz três anos que possuo este espaço cativo na revista, e sinto uma honra muito grande. Também acho uma grande responsabilidade e sempre procuro abordar assuntos interessantes, e principalmente mostrar mulheres, surfistas, profissionais, enfim pessoas maravilhosas que necessitam e precisam do espaço. Muitas vezes também acabo falando de minhas experiências em viagens, com o objetivo de mostrar que você pode ser uma pessoa normal e viver do lifestyle do esporte, no entanto me realizo muito mais quando consigo divulgar talentos e ajudar o esporte de alguma maneira.

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Falando sobre o surf no país. Na sua coluna, edição de abril, você escreveu uma matéria sobre o projeto Silvana Free, que se baseia num estilo crowdfunding para bancar os custos das competições. Na sua opinião, essa pode ser uma alternativa para as futuras atletas não dependerem de uma marca? 

A Silvana é uma guerreira, tenho tanto orgulho dela e fico tão feliz de ver que ela está dando a volta por cima. Se pudesse, falaria dela todo mês. Acho que a Sil encontrou uma maneira de viabilizar seu sonho seguindo uma tendência mundial. Muitos atletas tem feito isso pelo mundo todo. No caso dela, particularmente eu fico um pouco indignada de não ter patrocinador por trás ou mesmo apoio do governo e do país. Acho que seria ótimo se esta alternativa pudesse ajudar as atletas, mas acho difícil ter pessoas que doem sempre todos os anos.

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Lá fora, algumas surfistas não são apenas conhecidas pelo seu talento nas ondas, mas também pela a sua beleza bastante divulgada nas redes sociais, como por exemplo: Alana Blanchard, Laura Enever, Coco Ho entre outras. Você acredita que isso incentive o surf feminino? Ou pode ter o efeito pejorativo, que valorize mais os atributos estéticos da surfista ao invés do seu talento?

Esse assunto já vem sendo debatido mundialmente nos últimos anos e não tem uma resposta clara. Eu penso que tem os dois lados. Acho incrível quando uma atleta une talento, beleza e carisma, acho que isso deve ser explorado e celebrado. No entanto, o talento teria que vir em primeiro lugar, a beleza está sendo celebrada em demasia. Se o uso da beleza fosse positivo para as que tem e não atrapalhasse as outras, não teria tanto problema. Mas o que acontece é que as marcas parecem ter parado de apostar no talento e investem pesado apenas nas atletas que possuem atributos físicos. Aí temos um problema. E no caso do Brasil a problemática se agrava.

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Todo mundo sabe que não é fácil entrar nesse meio, seja como atleta, fotógrafa ou jornalista. O que você sugere para quem está começando nestas atividade?

Muito amor e dedicação. E com o tempo, o pé no chão. É importante não desistir dos sonhos e lutar pelas oportunidades. No entanto é preciso saber ajustar às velas quando o vento mudar de direção.

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Agradecimento especial à Manu D’Almeida

Fotos: Arquivo pessoal

Por Isadora Greiner