Mãe surfista! Entrevista exclusiva com Manuella Brasil

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A surfista profissional Manuella Brasil, subiu na prancha aos 11 aninhos e não desceu mais! A paixão pelo esporte foi hereditária, na sua família todos surfam e vivem o estilo de vida diretamente conectado com o universo do surfe.  Recentemente, Manu foi presenteada com uma novidade que mudou a sua vida. Confira abaixo o bate papo da Manu com a nossa colaboradora Barbara Furtado:

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Manu, como foi descobrir que ia ser mãe?

Estava numa fase muito boa da minha vida, muita coisa acontecendo no Sul, na minha carreia. Saber que ia ser mãe foi um susto! Escolhi voltar para o Nordeste e ficar ao lado da família, fundamental neste momento. No princípio, senti receios, dúvidas, inseguranças e com o passar dos dias isso só foi aumentando.  Até que chega um momento em que você se adapta (risos). A minha vida mudou completamente,  é preciso abrir mão de algumas coisas, pensar em outras, mas tudo é muito válido, uma evolução incrível! A experiência é única e acredito que toda mulher deve viver isso e sempre confiar em Deus. Ele sabe o momento exato de cada coisa.

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Qual foi o momento mais difícil para você nesta mudança?

O mais dolorido foi ficar sem surfar no início da gravidez. Eu estava com um mês de gestação e não sabia, seguia a minha rotina normal surfando e treinando. Quando descobri, tive um deslocamento de placenta, quase perdi o bebê. Precisei ficar em repouso absoluto, ou seja, ficava o dia inteiro deitada na cama, e lá fora as ondas rolando. Foi tenso, extremamente difícil! Mas o medo de perder o que já crescia dentro de mim era maior, e o amor pelo meu filho crescia a cada dia.

Como foi a sua recuperação? 

Quando passei para o terceiro mês, consegui me recuperar da lesão. Conversei com o médico e ele me liberou para surfar, porém com algumas ressalvas:  ter bastante cautela para não bater a prancha na barriga, não entrar no mar com ondas grandes e forte acompanhamento em todos os exames.

O que você achou da experiência de surfar grávida? 

Pura energia! Sentia que meu pequeno estava feliz com a mamãe surfando. Continuei no mar até o oitavo mês da gestação, aí a barriga cresceu de verdade e já não era mais possível surfar ( não com a minha prancha de costume). Por isso, nos últimos meses troquei pelo longboard, assim conseguia ficar de joelhos e tinha mais equilíbrio. Um detalhe que é importante ressaltar é que só foi possível seguir com o surfe ao longo da gestão, com uma alimentação saudável e com a pratica de outros exercícios. No meu caso, a meditação ajudou bastante!

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Depois do nascimento, o surfe voltou igual ou foi necessário algum tipo de treinamento para retomar à sua prática?

Nauê nasceu com 38 semanas, parto cesárea e tudo foi tranquilo. Não senti nada, estranho foi não sentir as pernas (risos), tudo foi mágico. Minha recuperação foi ótima e com um mês já voltava pouco a pouco para o surfe. No começo foi mais difícil, pois não tinha equilíbrio. Voltei a nadar e fazer exercício funcional específico para o surfe. Com estes treinos consegui ganhar força e melhorar a minha estabilidade na prancha.

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E para fechar, um recado para todas as leitoras que estão passando por esta experiência, de ser mãe pela primeira vez: 

Acreditar que tudo é possível e viver cada fase com paciência. Um filho é luz e presente de Deus, se recebeu esse presente, cuide, dedique-se e pode ter certeza que vai viver uma das melhores coisas da vida, o MELHOR DROP*.

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Agradecimento especial à Manuella Brasil

Por Barbára Furtado e redação Girls on Board

Fotos: arquivo pessoal Manuella Brasil

*Drop – significa descer a onda da crista até a base.