O Inverno dos Encontros

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Surfe, stand up paddle, kitesurf, windsurf, skate, mountain board… Todas modalidades individuais. Mas, individual não significa solitário: ter uma companhia ao lado é sempre muito mais enriquecedor.

Comentar, assistir, ser assistida, compartilhar risadas e aflições, aprender e ensinar, tudo é uma troca que não tem preço. Uma coisa é estar sozinha no mar com uma dezena de pessoas que nunca viu antes, outra, é estar no mesmo mar com uma amiga, amigo, namorado, repartindo e multiplicando sensações.

As mulheres estão se aproximando do surfe cada vez mais e, como disse um garoto no mar esses dias: “o outside fica mais florido e cheiroso”. Uma, duas, três meninas entrando juntas para uma sessão de surfe. E que tal nove meninas? Foi justamente o que aconteceu no primeiro e ensolarado final de semana de inverno. As condições do mar estavam pra lá de ótimas e a maré perfeita, fora o ventinho terral alisando a água salgada.

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Na foto: Bartira e as suas 8 amigas no litoral Norte.

Neste cenário, eu passava parafina e protetor solar, quando duas amigas chegaram acompanhadas por mais seis garotas. Antes de entrar no mar, entre uma risada e outra, percebemos como todas são ao mesmo tempo diferentes e parecidas. Cada uma com as suas origens e famílias, trabalhos e sonhos. Entretanto, naquele momento éramos apenas meninas na beira do mar, prontas para fazer o que mais gostamos: surfar!

Diversão garantida, ondas abrindo para esquerda, direita e uma certa variedade de tamanho. Todas encontraram a sua onda e esbajaram estilo. Foi difícil não chamar atenção de quem estava na praia e no mar, até porque, depois de meia hora outras três amigas se juntaram à maré “cor de rosa”.

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Um longboarder se aproximou, sentou entre a mulherada e decidiu remar nas ‘nossas’ ondas. Foi infeliz. Logo ouviu frases do tipo “deixa as ondas pra gente”, “vai remar pra lá”, “não larga o seu pranchão, assim você vai matar uma”. Intimidado, o moço se afastou e deixou definitivamente aquele pedaço de mar só para nós. Claro, tudo na paz, mas com um fundinho de verdade. Ninguém queria um marmajo ali no meio pegando justamente as ondas que pareciam estar vindo especialmente para as mulheres. Aos poucos, cansadas de tanto remar, íamos deixando o mar, uma a uma, para um merecido descanso e um bom copo de água doce.

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Dias passam e o momento deixa saudades. Não é sempre que encontramos boas ondas em um mar tão florido. O certo é que, se houver oportunidade de companhia para dividir momentos especiais, cada pessoa agrega uma felicidade a mais.

Um dia como esse, de sol e ondas, consegue ser mais caloroso do que muitos dias verão. E o inverno estava só começando. Esperamos que muitos outros encontros possam nascer desta estação.

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Por Bartira Bejarano

Desenhos: Reprodução/Colleen Wilcox

Foto 03: Arquivo pessoal Bartira Bejarano