O Jardim do Brasil!

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Batizada em 1950, pelo paisagista brasileiro Burle Marx, de “Jardim do Brasil”, a Serra do Cipó, em Minas Gerais, é reduto de aficionados por natureza e atividades esportivas.

“Pra mim, é a terra onde eu nasci. É minha mãe, meu pai, meus irmãos. É o melhor lugar do mundo”. A frase da condutora ambiental, Florisbela dos Santos, mais conhecida como Flor, explica bem o sentimento que os nativos têm por sua terra. Quem visita a Serra do Cipó, em Minas Gerais, e entra no clima do vilarejo, logo entende que se trata de um lugar diferente. A energia que paira no ar, vem lenta e nos envolve totalmente. Essa energia nasce da natureza e de seu povo, gente simples e hospitaleira.

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No Cipó, como é carinhosamente chamado pelos locais, todo mundo é bem-vindo. O cafezinho à beira do fogão a lenha é servido de igual maneira para todos e com sorte, o visitante pode escutar histórias do povoado que surgiu no século XVII quando a região servia de passagem aos Bandeirantes que partiam de São Paulo em direção à Diamantina em busca de ouro e pedras preciosas. O Cipó também foi pouso de uma comunidade quilombola chamada Açude da qual Flor, nossa condutora ambiental, é descendente.

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Além das riquezas minerais e históricas, a região transpira diversidade biológica. Tanto é que recebeu da Unesco, em 1995, o título de reserva mundial da biosfera. Devido a uma combinação de ecossistemas (cerrado, campo rupestre e mata atlântica), o Cipó possui uma grande variedade de espécies animais e vegetais endêmicas, ou seja, que só existem na região.

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A variedade de plantas é tão impressionante que o paisagista brasileiro Burle Marx, em 1950, chamou a Serra do Cipó de “Jardim do Brasil”. Orquídeas, bromélias, canelas-de-ema e sempre-vivas, símbolo do Cipó, compõem esse jardim tropical.

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Para preservar esse refúgio ecológico, o governo federal criou, em 1984, o Parque Nacional da Serra do Cipó, hoje administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio. A Unidade de Conservação, que tem 33.800 hectares (338 km²) e abrange quatro municípios mineiros, é um dos poucos parques do Brasil que permitem o acesso a pé, de bicicleta ou até mesmo a cavalo. Todas as opções são prazerosas, mas se você escolher pedalar, vá de mountain bike.

Devido a sua localização, ao sul da Serra do Espinhaço, entre as bacias do rio São Francisco e do rio Doce, a região conta com um relevo acidentado e inúmeras nascentes que formam muitos rios, cânions e belíssimas cachoeiras, sendo estes seus principais atrativos turísticos. Dentro do parque, os mais visitados são: o Cânion das Bandeirinhas (12 km da sede) e a Cachoeira da Farofa (8 km da sede). Outros atrativos como as cachoeiras das Andorinhas, Gavião, Tombador e Travessão, apesar de ainda estarem em fase de estruturação, também estão abertos à visitação, mas por serem locais de difícil acesso e ainda com pouca sinalização é recomendado a contratação de um guia.

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Dentre todas as quedas d’água, a mais famosa é a Cachoeira do Tabuleiro, eleita pelo Guia Quatro Rodas, em 2003, uma das mais belas do país. Ela é, oficialmente, a maior de Minas Gerais, com 273 metros de queda que despenca de um imenso paredão rochoso de quartzito. Um paraíso para escaladores de grandes paredões (big wall). A cachoeira fica a pouco mais de uma hora de caminhada do povoado de Tabuleiro, município de Conceição do Mato Dentro, um importante pólo econômico e ecoturístico para a região da Serra do Cipó.

Para quem tem espírito aventureiro, a Travessia Lapinha – Tabuleiro é uma ótima opção. São dois ou três dias de caminhada (trekking) partindo do deslumbrante povoado de Lapinha da Serra, município de Santana do Riacho, em direção à Tabuleiro. Uma aventura e tanto que, obrigatoriamente, lhe fará atravessar vários cursos d’água.

E por falar em rio, o mais expressivo é aquele que emprestou seu nome para a região, o Rio Cipó, considerado a alma do lugar. Sua nascente está dentro da Unidade de Conservação e por isso possui águas límpidas e serenas, um parque de diversão natural. Portanto, para quem curte natureza associada a atividades esportivas não deixe de incluir em seu roteiro um passeio a bordo de canoas canadenses ou de stand-up-paddles. A região também é perfeita para a prática da escalada esportiva e em móvel, boulder, slackline, highline, mountain bike entre vários outros esportes.

Por Juliana Franqueira

Fotos: Marcelo Andrê