Sereia do mar

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No Réveillon muitas pessoas se vestem de branco e pulam as 7 ondinhas. Mas, a verdade é que muitas nem sabem bem o porquê. Tornou-se uma espécie de ritual de passagem, de renovação, de paz, sorte, boas energias e contato com a natureza.

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Esse costume tem raízes africanas ligada à Umbanda e ao Candomblé.  O número 7 é considerado espiritual, pois são 7 os dias da semana e os chacras. Pular as 7 ondas ajudaria a evocar os poderes de Iemanjá. Quem nunca ouviu falar em Iemanjá? Outros países cultuam diferentes deusas ligadas às forças da natureza, como Nyai Loro Kidul na Indonésia e Tálassa e as Sereias da mitologia grega. Em comum, mulheres belas e poderosas, símbolos do amor e fertilidade, e, principalmente, “divas” que estão no controle dos oceanos.

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Iemanjá é mãe de todos os peixes, padroeira dos pescadores, deusa do amor e protetora do mar. Assim ela é reconhecida pelo candomblé e umbanda: como o orixá feminino ligado ao poder das águas, aquela que decide o destino de todos aqueles que entram no mar.

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Protagonista de milhões de lendas, Iemanjá se multiplica em várias versões e se transforma de acordo com a cultura. Trazida pelos escravos, chegou ao Brasil nos tempos coloniais. Em terras africanas era a deusa do rio Ogun, rainha das águas doces. Mas entre nós, ela se tornou a Rainha do Mar. Os longos cabelos, os traços delicados e os seios fartos sintetizam a divindade da maternidade.

Segundo a lenda, a partir do casamento entre o céu e a terra nasceu Iemanjá, cujo elemento água predominou. No dia 02 de fevereiro, milhares de pessoas se vestem de branco e jogam oferendas ao mar em respeito à deusa, por crer que ela leva consigo para o fundo do mar todos os nossos problemas e confidências, trazendo sobre as ondas a esperança de um futuro melhor.

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Mas nem todos são devotos e vão ao mar no dia 02/02 para fazer oferendas. Tem aquelas que, como eu, amam o mar em todas as suas variações e acabam por vestir branco na virada do ano e pular as 7 ondinhas “por tradição”, e respeito pela energia que o oceano emana. A natureza é poderosa. Ficaremos sempre atentas as histórias e mistérios do mar, seja em Salvador, São Paulo, Bali, Mikonos ou onde quer que você esteja. As homenagens para Iemanjá não ficam apenas nas roupas brancas e oferendas perfumadas. Muitas músicas foram feitas para saudar a mulher dos mares brasileiros.

“Vem do luar do céu. Do mar coberto de flor, de Iemanjá. Se você quiser amar, se você quiser amor, vem comigo a Salvador, para ouvir Iemanjá. A cantar na maré que vai, na maré que vem, do fim, mas do fim do mar, bem mais além. Bem mais além que o fim do mar ” – Canto de Iemanjá de Baden Powell

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Rainha das ondas, sereia do mar, como é lindo o canto de Iemanjá.

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Por Bartira Bejarano

Fotos: divulgação