Zen on Board

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(art: Aimee Sicuro)

A busca por alternativas para descontrair a rotina, tem crescido. As pessoas estão aderindo novos hábitos, alimentação saudável, esportes integrados à Natureza, cuidados com o corpo e procurando o auto-conhecimento através de práticas como Yoga e Meditação.

Os boardsports sem dúvidas estão às alturas das técnicas milenares passadas por yogis e mestres orientais. Encontra-se no deslizar e velocidade de um shape em movimento a mesma sensação de plenitude alcançada na meditação. Ambos exigem a prática, determinação e superação de si mesmo e de condições externas, nos levando a uma imensa paz e satisfação interior.

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(photo: reprodução)

Por muito tempo a prática de skate, surf e seus segmentos foram julgados (e ainda são) de maneira equivocada – o mesmo acontece com a meditação. Diferente do que grande parte das pessoas pensam, existem muitas outras maneiras de meditar, que não seja sentado ou deitado sem se movimentar. Nat Young, surfista campeão mundial de 1966, resume bem essa analogia: “Se, na época (em que foi campeão mundial), tivessem me perguntado o que era o surf, teria respondido que era uma atividade espiritual. Isso teria nos poupado um monte de problemas”. Em essência, o objetivo ao meditar é levar a mente a um estado no qual não existem mais pensamentos ligados nem ao passado e nem ao futuro. Sendo assim, a pessoa se encontra em plena conexão com o momento presente e com seu próprio Ser.

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Originalmente, o surf era para a civilização polinésia um ritual onde o homem repetia a viagem ao desconhecido, se entregando aos enigmas ocultos do mar a cada dia que fosse surfar. Um exercício de reflexão, quem não se transforma perante a imensidão do oceano? Buscar viver um sonho na condição perfeita exige coragem para transcender a si mesmo. ‘O surfista que se movimenta em perfeita harmonia com a onda entra na dança do Universo, integra-se à Unidade, dissolvendo as fronteiras entre si mesmo e os elementos da criação. O tempo pára, as forças e leis da mãe natureza interagem sobre cada célula do ser, da prancha, da água, da luz…’ descreve Pedro Kupfer, professor yogi e surfista brasileiro. Querer evoluir na prática de qualquer esporte, é ter que superar os próprios medos e dificuldades, e é também uma questão de se entregar àquilo que não temos controle: a força da Natureza.

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(photo: reprodução)

Ao sentar para meditar pela primeira vez, nos deparamos com a nossa própria mente. Ela se manifesta como a arrebentação do mar, agitada. A vontade de desistir pode vir rápido, pois assim como a força do mar, o poder da mente assusta da mesma maneira. Go with the flow, se conecte, entregue, confie. Respire! Dentro da filosofia do Yoga, aprendemos a prestar atenção e controlar a nossa respiração, é a técnica chave para mantermos a calma e concentração em qualquer situação de nossas vidas.

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(photo: reprodução)

Os ásanas são aquela série de posturas de Yoga que, ao longo da prática, preparam e fortalecem o nosso físico e nossa mente para permanecer na meditação pelo tempo que for. Corpo alongado e relaxado, mente em totalmente consciência do momento presente. Assim como naquele instante antes de um drop preciso, os ásanas requerem força, flexibilidade e equilibrio. Depois, vem o feeling que nos preenche por dentro nos momentos mais simples, quando já estamos entregues ao flow suave e veloz da prancha à força do vento, do mar, da ladeira. Neste exato instante, já não existem mais preocupações e nem lembranças em nossa mente, nos sentimos longe de tudo que exige nossa atenção no dia a dia. É o êxtase, entrega total. Caminhamos para a superação, a liberdade e a evolução pessoal.

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(photo: reprodução)

O que importa é estar sintonizado a todo instante; na prática de kite se entregar e dançar ao movimento do vento e do mar. No mountainboard e no downhill, fluir com a terra à cada curva e descida das montanhas. Com o vai-vem da maré no surf, no skimboard e com a serenidade do lago no Wake. Antes de tentarmos nos tornar aptos a dominar a prancha, seja ela qual for, precisamos estar em plena conexão, integrados, respeitando e reverenciando as condições naturais.

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(photo: reprodução)

Quando saimos de uma session, seja na água, na terra ou no asfalto, já cansados mas muito vibrantes, deitamos na areia ou no chão e damos aquela inspirada funda e: ‘Aaahhhh…’. Isso, os yogis chamam de Savasana, o momento de estar revigorado, satisfeito e tranquilo após uma prática de ásanas, no caso. Embora aparentemente sejam distintos, estar em cima de um mat ou de um board exige iguais esforços e nos levam aos mesmos lugares; à superação, à transcendência e ao êxtase.

Por Paula Sgarbi